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Como o Banco Central pode fazer para derrubar preço do dólar?

Como o Banco Central pode fazer para derrubar preço do dólar?

By: Fabio Lucas─ 02.07.2024

Nos últimos tempos, o dólar tem apresentado uma trajetória ascendente significativa, alcançando recentemente R$ 5,70. Essa situação desperta preocupações tanto no mercado quanto no governo, especialmente devido aos impactos diretos sobre a economia brasileira. Analistas apontam para uma combinação de fatores domésticos e internacionais como motores dessa alta.

Internamente, a apreensão fiscal e as críticas recorrentes do presidente Lula ao Banco Central (BC) são destacadas. No cenário global, o adiamento dos cortes de juros nos Estados Unidos também exerce pressão.

O Banco Central do Brasil adota um regime de câmbio flutuante, permitindo que as cotações do dólar oscilem livremente. Contudo, a autoridade monetária tem a prerrogativa de intervir em momentos de extrema volatilidade ou desequilíbrio, com o objetivo de estabilizar o mercado.

O swap cambial é a forma mais comum de intervenção utilizada pelo BC. Nessa operação, o BC promove uma troca de posição financeira, funcionando como uma injeção de dólares no mercado futuro. No contrato de swap, o BC se compromete a pagar ao detentor a variação do dólar, acrescida de uma taxa de juros (cupom cambial). Em contrapartida, o BC recebe a variação da taxa de juros doméstica (Selic) acumulada no mesmo período.

Importante notar que essa transação é realizada integralmente em reais, sem envolver a movimentação física de dólares. Assim, quem vende o contrato de swap fica protegido caso a cotação do dólar aumente, mas deve pagar a taxa Selic ao BC. Esta operação é vital para empresas e instituições financeiras com dívidas em moeda estrangeira, além de ser utilizada por investidores que apostam na alta do dólar.

As reservas internacionais do Brasil, atualmente em torno de US$ 355,5 bilhões, fornecem ao BC duas formas adicionais de intervenção no mercado cambial: o empréstimo de dólares com compromisso de devolução e a venda direta de dólares das reservas. No primeiro caso, o BC empresta dólares aos bancos com a garantia de devolução futura, aumentando a oferta de dólares no mercado à vista sem comprometer permanentemente o patamar das reservas. Já na venda direta, o BC vende dólares diretamente aos bancos por meio de leilões, aumentando a oferta da moeda estrangeira no mercado à vista, mas reduzindo permanentemente o nível das reservas internacionais.

A recente valorização do dólar reflete uma conjunção complexa de fatores internos e externos. Internamente, a política fiscal e as percepções sobre a independência do Banco Central são questões sensíveis. Internacionalmente, as expectativas sobre a política monetária dos Estados Unidos influenciam significativamente os fluxos cambiais globais.

Para o Banco Central, decidir intervir no mercado de câmbio é uma questão estratégica que envolve ponderar os benefícios e custos de cada ferramenta disponível. As intervenções, especialmente os swaps cambiais, têm sido uma resposta eficaz em momentos críticos. No entanto, a manutenção de reservas internacionais robustas também é crucial para assegurar a estabilidade econômica em longo prazo.

O Banco Central possui um arsenal de ferramentas para enfrentar a valorização do dólar, cada uma com suas particularidades e implicações. Swaps cambiais e a utilização estratégica das reservas internacionais são medidas que podem ser implementadas para estabilizar o mercado. O desafio reside em equilibrar essas ações com a necessidade de manter a confiança e a estabilidade econômica, num cenário onde variáveis domésticas e internacionais interagem de forma dinâmica.

Atualizado em: 02.07.2024